Marisa apresenta seus g�meos bivitelinos em texto escrito por ela para a imprensa

Eis, na �ntegra, o elucidativo texto da artista:
"Comecei nos palcos. Toda a minha trajet�ria se fez atrav�s do contato direto com o p�blico, nas apresenta��es ao vivo. Em quinze anos de carreira gravei muito pouco, por causa das longas turn�s que sempre acabavam gerando um espa�o muito grande entre os discos.
Cinco discos em quinze anos, sem contar os que produzi e o dos Tribalistas. Em 2001 terminei a turn� de Mem�rias Cr�nicas, depois de quase dois anos de estrada, decidida a ficar em casa por um tempo. Aproveitei para produzir o disco do Argemiro e logo a seguir mergulhei no projeto dos Tribalistas com Carlinhos e Arnaldo. Um projeto s� de est�dio. Adoro e sempre adorei est�dio. Gravamos todo o disco no Rio, em treze dias. Uma m�sica por dia. Engravidei durante as grava��es. O disco saiu no m�s do nascimento do meu primeiro filho.
Durante os meses que se seguiram tive a chance de ficar mais tempo em casa. Aproveitei a oportunidade para fazer v�rias coisas que seriam imposs�veis viajando e, sem saber, algumas delas acabaram se tornando o embri�o desses discos de agora. Eu sabia, atrav�s do meu contato com o samba carioca e, principalmente, pelo conv�vio com a Velha Guarda da Portela e pelo trabalho de pesquisa para o disco deles em 1999, que havia um repert�rio incr�vel, presente apenas na tradi��o oral, que estava se perdendo pouco a pouco. A curiosidade me fez querer saber mais sobre isso, ampliando o conhecimento para al�m dos limites da Portela. Comecei a fazer uma s�rie de encontros e entrevistas, orientada por conversas com Monarco, Paulinho da Viola, Dona Yvonne Lara e meu pai, entre outros.
Ouvi compositores, parentes e parceiros de sambistas antigos em busca n�o somente da obra deles, como tamb�m das refer�ncias criativas; da g�nese do samba feito por eles. E os sambas de Jaime Silva, Argemiro, Dona Yvonne, Casemiro, Moraes e Galv�o, alguns com mais de cinquenta anos, uniram-se � produ��o contempor�nea da Adriana, do Paulinho, do Arnaldo, do Carlinhos e minha, no repert�rio de O Universo ao Meu Redor, esse meu disco focado mais do que no samba, eu diria, na atmosfera do samba, com seus assuntos mais freq�entes - o amor, a natureza, a pr�pria m�sica, a condi��o humana, o canto dos passarinhos, o quintal, o conv�vio atrav�s da arte...
Para produzir comigo, convidei o Mario Caldato, com quem sempre tive vontade de trabalhar e que ficou respons�vel por pilotar a personalidade sonora do disco.
Ao mesmo tempo em que eu mantinha a freq��ncia desses encontros em torno do samba, comecei a digitalizar todo o meu acervo de fitas cassete. O intuito do trabalho era salvar os registros do processo de composi��o. Quinze anos de m�sicas sendo feitas. Algumas terminadas, outras abandonadas. V�rias dessas que todo mundo conhece, na nascente. Cadernos de rascunhos sonoros. Quase cem fitas, todas ouvidas, decupadas, mapeadas por mim.
Infinito particular.
Essa audi��o me fez mergulhar em composi��es de v�rias �pocas, n�o s� com parceiros antigos (Nando, Carlinhos, Arnaldo, Pedro Baby, Dadi), mas tamb�m ampliando os horizontes na dire��o de novos - Seu Jorge, Adriana, Yuka, Leonardo Reis e Rodrigo Campelo. Muitos encontros e, algum tempo depois, eu tinha material para mais um disco. Dessa vez, s� de m�sicas minhas com parceiros e o replay de Al� Siqueira, com quem j� havia trabalhado em Tribalistas, para produzir comigo. Al�m dos arranjos de Eumir, Philip e Donato.
� isso... Se eu tivesse gravado agora apenas um disco e fosse para a estrada, ia demorar um temp�o at� que eu tivesse a chance de gravar de novo e sei que haveria um hiato entre o que fa�o e o que mostro. Por isso concebi esses dois discos de repert�rio in�dito. Gerados ao mesmo tempo, como g�meos bivitelinos, v�m ao mundo agora no mesmo dia. Mas s�o muito diferentes. Cada um com a sua hist�ria. Cada um falando por si. Como duas fotos. Com muitas pessoas e comigo no bolo. Agrade�o a todos."
Marisa Monte
1 COMENTÁRIOS:
se foi ela mesma que escreveu, parab�ns. tem uma clareza que muito jornalista n�o consegue.
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