Aldir Blanc desfia ros�rio de p�rolas de fossa em seu l�rico primeiro disco solo

T�tulo: Vida Noturna
Artista: Aldir Blanc
Gravadora: Lua Music
Cota��o: * * * *
Em seu primeiro disco solo (houve um dividido com Maur�cio Tapaj�s nos anos 80 e outro de duetos nos 90), Vida Noturna, Aldir Blanc se revela bom cantor, de voz bem modulada e timbre sereno. Como int�rprete do�do, daqueles de fundo de boate, h�beis ao remoer paix�es sombreadas pela melancolia ou pela desilus�o, Blanc desfia suas dores de amores em repert�rio formado majoritariamente por in�ditas de tom l�rico, t�pico de grandes poetas como ele. Entre as regrava��es, h� duas parcerias com Jo�o Bosco dos anos 70. A faixa-t�tulo (lan�ada no disco Galos de Briga, de 1976) e o samba Me D� a Pen�ltima (do LP Tiro de Miseric�rdia, de 1977) contam com a ades�o do parceiro na voz e no viol�o, ratificando a retomada dos la�os fraternos e profissionais.
Vida Noturna � um ros�rio de p�rolas contadas por um amante dos bares e da madrugada. "Todo bo�mio � feliz porque, quanto mais triste, mais se ilude", conceitua Blanc em verso de Me D� a Pen�ltima. � nesse clima de boate - de elegante e econ�mico instrumental urdido pelo piano de Crist�v�o Bastos e pelo viol�o de Jo�o Lyra - que Blanc tece suas teias em versos sempre milimetricamente constru�dos. Em Dry (parceria com Moacyr Luz), ele at� recebe um Chico Buarque de frente e incorpora a mulher abandonada pelo amante. "Eu me sentia um cinzeiro / Repleto das pontas que voc� deixava / E que ironia essa imagem: / A guimba apagando � quando mais queimava...", resume de forma lapidar. Em Lupic�nica, parceria com Jayme Vignoli, Blanc reverencia o compositor ga�cho que inspirou o genial t�tulo da m�sica, cujo foco � a paix�o por uma enfermeira. "Aquela mulher que dosava o soro nas veias dos agonizantes / N�o teve sequer um calmante pra dor sem rem�dio que atinge os amantes", sofre o poeta.
E � assim - com seu peculiar romantismo crepuscular - que Aldir canta, conta e lembra seus amores noturnos. Quase sempre com um trago amargo na boca, como em Velhas Ruas (em que assina letra e m�sica, evocando melancolicamente amor vivido na Vila Isabel idealizada de sua inf�ncia) e como em Flores de Lapela (parceria com Maur�cio Tapaj�s), pungente e sint�tica cr�nica sobre solid�o e m�goas provocadas pela separa��o. Espa�o para a felicidade solar h� apenas em Recreio das Meninas II (outra parceria com Moacyr Luz em que entra um acordeom tocado por Crist�v�o Bastos). Na faixa, a ida ao samba, cen�rio de poss�vel nova paix�o, � o rem�dio infal�vel para a dor do amor. A exce��o confirma a regra: Vida Noturna � disco de fossa, de madrugada, com direito ao viol�o estupendo de H�lio Delmiro em Constela��o Maior (parceria com Delmiro) e ao (n�o menos virtuoso) de Guinga em Cordas.
Como resume Heloisa Seixas em texto feito para o encarte, � "puro Aldir Blanc, sem gelo". E - acrescenta o colunista - sem direito � ressaca musical, pois a po�tica obra de Aldir � refinada como o melhor u�sque escoc�s.
5 COMENTÁRIOS:
Que beleza, estou louco para ouvir.
Aldir � poeta urbano dos mais brilhantes do Brasil, poucos escrevem como ele
� coisa de g�nio. Esperei 10 anos por esse momento.
esse t�tulo genial "lupcinica" j� existe a mais de 10 anos, na can��o interpretada por Ednarno. e de autoria de Augusto Pontes e Petr�cio Maia.
a respeito de "recreio das meninas II" adorei a can��o e tb a iniciativa de usar o "II", o que deveria ter sido feito com "lupcinica" j� que o t�tulo � realmente genial , asiim como sua m�sica sobre a enfermeira.
viva o aldir blanc
esse t�tulo genial "lupcinica" j� existe a mais de 10 anos, na can��o interpretada por Ednarno. e de autoria de Augusto Pontes e Petr�cio Maia.
a respeito de "recreio das meninas II" adorei a can��o e tb a iniciativa de usar o "II", o que deveria ter sido feito com "lupcinica" j� que o t�tulo � realmente genial , asiim como sua m�sica sobre a enfermeira.
viva o aldir blanc
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